segunda-feira, 5 de abril de 2010

AMOR



.
.
.
.


fundo...
do...
fundo...
do...
poço...
.
.
.
.

e sob ele, o cadafalso:

- As verdades, como o vento,

mudam de cara

a cada sopro da Ilusão!




   O rascunho 
maispróximo 
da verdade
                                                                         
                    é Dor!




Torres Matrice




                                                                        05/04/2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Antiga Estrada Nova







Tanta estrada perdida...
Sombras e madrugadas,
noites dobradas em curvas e fel:
pesadelos de abismos e espasmos.

Uma queda transversal
passos erráticos
medos enfáticos
estrada antiga
liga do meu umbigo à dor sem par.

Queima o inferno da memória!!!

Já conheço as sombras dessa estrada,
sei que só vou dar em nada,
tanta curva sei de cor:
Enganos, calafrios - pó do pó...

O céu que se ostenta
é chumbo é ferro é aço:
Estrada de asperezas e impurezas
estrada que me segue cega
nega-me a razão e o equilíbrio...
Rezas empoadas no caminho morto...

Por mais que caminhe, o horizonte é sempre o mesmo:
Estrada que não passa com meus passos
aferrada em sombras de um tempo assombrado.

Eis o medo! Sempre e outra vez - companheiro ancestral!

O modo do medo na poeira:
imitação das pegadas
minha sombra, minha sobra e a cor daquele céu...

A alma pesa o espanto
de um passado insone:
cadáver putrefato do futuro!

Dor, fel, medo e chumbo

e um Vazio

um Vazio maior que deus!





10/03/2010

Estrada Nova - Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 1 de março de 2010

UMA PASSAGEM PARA O INVERNO




O Inverno
é a Estação do Trem
que não passa:
passa o tempo passa a vida
mas não passa o Trem
o Trem da vida
que estancou
..............................na curva do descarrilho........................

( """o ranger dos ferros na nevralgia exposta
ecoando na amplidão da memória
de um céu tempestuoso na boca de um deus cruel""" )


O inverno é a Estação que não passa:
derradeira dura e fixa
perdura verões eternos

É a fundura das coisas infindas
que não findam de afundar

É quando a gente
entende
que o tempo apagou pagou
o preço da imponderável luz

O sol e as cores: todos adoeceram sob o gelo

Inverno
É quando o sangue em trilho trilha
rilha ilha de um coração estacionado
corre escorre morre
frio... rio...
rio...rio...rio...

- Coração em conserva que em água impura dura...
Água de se afogar mesmo sem vida
água pesada de geleiras e lençois submersos:
terrores noturnos e camas mal dormidas.

O leito na varanda:
lençóis brancos de geleira
se estendem sobre a alma na estação
Inverno....
é quando os olhos se estacam e estancam
na paisagem interna
de uma estação final
onde o único passageiro
é o uivo escuro
de um vento atroz
gelado
e invencível

Inverno é quando se sabe
que o que sopra aqui dentro
( desolação )
é o último verso de amor magoado

Inverno é viver em feridas vivas
no assombro de um corpo morto
sem tempo e nem lugar
à espera de um Trem
que jamais vai passar
.....................................



01/02/2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

INDIFERENÇA






A indiferença da lesma ante o dia:


sem ponteiro
sem ter ponto

fria...

na mesma indignidade
do que se esquece
na apatia
da pressa das pedras

Tudo tão in.diferente
e uma vida de esquecimentos
na letargia da tarde vã

Nada interessa

nem o limo
nem o limbo

só o salto sobressalto
da espectativa eterna:

algum SAL
que me dissolva

o tédio

o ódio

o ócio



a vida

e só

...
20/02/2010

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Desespelho






Estorvo
Estorvo meu:
O que est.ilha.ça mais
Uma pedra
Ou a real-
Idade


?




................................




E só-çobraram
Ca.
.co.
.s...
Reflexos/soxelprep
Da desilusão em si.


Ademais
o que é uma auto-imagem
d ES t.ruída


?!







Torres Matrice
22/07/2007

TÉPIDA






Na tépida canção
vozes de névoas traduzem
um mundo em segredo:
Degredo e espera...
A terra de um Só.

O sono dos ciprestes
prestes a despertar
aquilo que em si se preste
ao espanto da paixão.

Magoadas endechas
queixas de silêncio
maquiadas.

Um poema em letras tardias...
Dias de tardes noturnas
sem fim.

Banimentos e esquecimentos
mementos imêmores
das distâncias e errâncias...
Tudo tão intensamente
debatendo-se contra as paredes
do mesmo lugar-nenhum.

Utopia dos desesperados sem porto
Horto das Oliveiras
desconforto e desvão.

Ilha de ilusão e quimera –
Mera sombra de um som:
Soul a alma negra que en.canta
como quem espanta
a dor que se embala
na noite espessa do espasmo...

Sombra que se bate à quilha
contra o vento que passa e rompe
no embate da canção.
Milhas em ondas de morrer
Ilhas em águas de esquecer
Nó e travo
Cravo
no centro da noite escura.





Torres Matrice 

15/04/2009

sábado, 3 de outubro de 2009

MEMENTO







Tanto nó em tanto Tanto
E no entanto é mas
E mais: porém em toda a vida...
Em toda via contudo
toda estrada havia
e não há mais.
Sol o por-me em mais afundo
em toda vida e tanto mas!
Tudo tão atravessado:
Tanto mar tanto mar...


Viés de coisa oblíqua em diagonal
feixo espinha de peixe
na garganta do silêncio


Tudo
por uma vida mais ordinária
maior que dó
em ré
e tanto desacorde
e um cor em desacordo:
epiderme insone e só


As paredes em que decalco a pele
estampas de tanto “se”: apelo
Exalam-me a tinta do que fui
e a cola do que não sou.


Se não fosse esse “se” em si
atravessado em mim na epiderme...
Se você ainda fosse você em ti antigo
na pele do mesmo lobo...
Mas é “se”
se você não fosse outro:
Um estranho alheio no mesmo em ti.


Mas você agora é Você!


E eu
Eu sou um si em mim fora de ti
fora de mim fora de nós.
Um se, talvez, quem sabe?!
Uma obsessão tatuada
no costume antigo de ser feliz
quando ser feliz era comum
como UM inteiro em DOIS
e fácil e bom e leve
mesmo sendo a dois.


Como era mesmo?!


Tudo tão impreciso na memória do homem que fui
que já nem me lembro do Ser inteiro decalcado de mim...


Na parede diagonal do corredor
onde tanto barulho esculpe
as desculpas que invento para não morrer
em meio a tanto “se”, contudo,
tanto mas, tanto porém
tanto no entanto, todavia
e o que havia já não o vejo mais...


E esse AL.arde dentro da p.ele?!


Será o vício que o tato tem
a teima de não te esquecer
o tique o truque o toque
a tara que há na tez?
Será


E esse barulho na memória da pele?!
E esse marulho...


Não é nada, não foi nada!


É só um jeito sem jeito
e silencioso
que achei de ser feliz
sem VOCÊ





Torres Matrice


03/10/2009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ossos do Ofídio





Mostro os ossos do ofício
exponho o vício do ofídio:
a mucosa negra do rancor.


Minha língua protrátil, bífida
destila o veneno da inveja
- que alimento!
sobre o que fui e tive.


Cobra-rei, Cobra-real
cobra de mim mesmo
a dor que me causei.


O amar botou em mim
a escama da dispersão,
o orifício da maldade
e um baú de ossadas
enterrado na memória.


O amor em sua verve rastejante
serpenteia a procissão dos amantes!
E por mais que nos dê asas
é no chão que se morre.


Prece ao sustento da dor:
Ladainha do amor morto...


No costume do corpo ressentido
a falta do amado é a goma do desalento.


A gosma da lesma ainda é a mesma
no rastejar das coisas infindas...


Tudo dói e deixa rastro, deixa lastro
luz fria da tarde na trilha da estrada morta...
Sinais da serpente na areia do caminho:
desenhos dos meu dias de agora.


Mostro o ofício dos ossos na tortura do sacrifício:
meu espírito ainda escama na espinha do sofrimento.





13/01/2009

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Força Bruta ( Luto )




"Tanta erva rasteira, tanta planta daninha, tantos fungos que só brotam e crescem nos rincões úmidos, lodosos, lutulentos da psique!"




Luto a luta mais vã,
vandalismo sem precedência:
Um céu de nuvens pesadas...
O estranho, o estanho e suas violências.

Monstro de chumbo e pesar:
nas vestes, no olhar, nos véus do tempo.
Além de todo sofrer,
ainda mais este estorvo,
ainda mais este vínculo:
o abraço da força bruta,

a gruta do mal.
Luta sem trégua, frágua,
água do prantear.

Um céu de nuvens carregadas
no olhar, no andar, no sentir...

Tudo desaba em grosso vendaval,
val umbroso do espírito inconsolável.
A vida é sem lugar...
Tudo mais é a Esperança de luto:
dissoluto amor, absoluta dor.

Sabes o que é depositar a coroa,
funesta coroa - esta! - sobre o amor ceifado
e lavrar o vale da mente turva,
recurva de solidão?!

Sabes o que é andar pelos vales das sombras,
perdido nos rincões úmidos do abandono,
onde habitam o lodo e a hera da insanidade?
Sabes o que é doer de amor póstumo e saudade?!

A dor elástica se expande na alma -
braço de alcance eterno no encalço do espírito -
laço do cansaço,
habita o coração, infiltra-se nos ossos:
inverno escuro da saudade.
Idade do carvão.

Escuta este silêncio, este segundo de nada,
esta nota vazia que este acorde me traz,
entre o gesto da mão
que leva ao túmulo a coroa de um reinado
e deposita sobre o passado,
o soluço de um deus morto,
e os desvãos de um castelo sem rei.

Que vale a vida sem viver?!

Tânatos:
Dá-me o teu ombro, dá-me teu colo,
hoje quem morre sou eu...


01.12.2008


sábado, 4 de outubro de 2008

( des ) Construção






Não vê que sua sombra,
entulho emocional,
sobrepesa meus andaimes
e trava a rodilha dos pensamentos?




Como posso reconstruir?




Não percebe que o cimento do meu ciúme
embota o sangue
enrijece meu desejo e firma o indesejável?
Não percebe seus projetos em mim?
Não entende que a umidade da masseira
tem a temperatura da minha lágrima gelada,
que sua liga, infiltrada nos meus olhos, 
deita saudades remotas sobre minh'alma cansada?




Como posso reconstruir?




Não sente que os tijolos da insegurança
circundam minha vida e erigem os cômodos
do meu incômodo desatino?
Não compreende que o espectro do que fui
traz de volta a alegria dissipada
em andrajos de uma cortina imóvel,
na mobília dos meus cantos umbrosos?
Não concebe que na sala-de-mal-estar
choro cada quadro latente,
onde fantasmas
celebram minhas dores
desde a parede do ontem
até o tapete de agora?




Não vê, não percebe, não entende, não sente, não compreende?

Em mim toda construção é ruína!!!








Torres Matrice

04/10/2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

sísifo






Os pés não reconhecem o chão...
Um caminhar anestésico
sensorial 
passo sem pele


A impossibilidade dos encontros:
lassidão.




Os pés adiante
mas na esquina o ontem,
fábrica de engenho traiçoeiro,
engendra a mágoa:
sisifismo


É na esquina que se esbarra
é na curva que o tombo abisma
e rebobina a estrada.


A mão estranha o vão:
- Cadê as digitais?
Será que há prova, um grito?


Vai ver o verbo reverbera
na vida do substantivo Ser:
doer doer doer


Nada se conjuga
tudo é impessoal agora
pretérito perfeito,
presente mais que imperfeito
de grego:
anaisthésia
tudo se nega, tudo se dista:
vista sem olhos, paisagem cega.


Passos sem pés...
pegadas demais!


O abraço é oco
o beijo é mouco
o ouvido esquece o som
a fúria é do corpo
o tédio é do morto
a vida é mesmo vã.


A pele perdeu seu sentido...
a epiderme dorme
Depois da queda o coice
depois da dor a foice
foi-se...


A paralisia do amor caminha permanente.






Nada me toca.





09/10/2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Carta de Um Amor Findado ( Leitura )








As cordas tensas
dos nervos
dedilhadas ao vento
pelos dedos do medo
disseminam
 hirtas notas
acesas.




O cérebro - fábrica elétrica -
entrega ao corpo
a encomenda grega:
adrenalina em jorros...
Cascata de sensações!




A mesma mão que dedilha
também debulha
cada sentimento
que os olhos contam em gotas.




O corpo é um oceano vermelho,
mar de sangue,
ondeia conforme a elétrica notícia.


A alma traduz o impulso - pulso:


- A leitura é um perigo!!!









11.01.2007

Ramerrão






O ramerrão

a grama amarga do amar ramado


a rama do marasmo


amarra o amar


inominado


enfadonha trama da natureza


a mesma


semente gramínea


brotando


ainda que morta


ramerrão


a grama amarga do amar o amado


monotonia dos condenados


a praga devorando o jardim


hera endêmica


vegetação do mal


sobre um coração ateu


teu espólio


minha herança










Torres Matrice

01.09.2008

sábado, 30 de agosto de 2008

Sufrágio para Othelo ( ato pio )






Palmilha a ilha da solidão:
milhas e milhas
daí até o naufrágio.
Frágil nau, sufrágio
em honra aos mortos
da ilha da ilusão.
A utopia do ato pio:
oração piedosa.
Reza essa vela escura,
transporte da alma cansada.


Enrodilha o espírito roto
em rodilha de desgaste:
trama amarga.
Afunda o barco do amor
depois de lavar o convés!
Afogamento de egos
em águas distantes...
Cegos medem a vista
em cais noturnos,
enxergam a noite de Othelo
na cegueira do ciúme.


O oráculo deslinda o breu
na vertigem da premonição:
todo amor anoitece.


O amor é cego, ele vê!








29.08.2008

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Talento





Soma o som do subtraído
Isso assombra assim, Sinistro
Ombra que assoma o som da massa
ganha o vão e some
somatiza-me
matiz de um sono só:
Matisse às avessas.


Pintura rupestre
cavernosa pintura da dor
umbrosa
paisagem descontínua:

- Oh, Vulto nefasto que me ronda!
 Sou tua noite solta no açoite da tua sombra!


Mesmo a esmo o mesmo some sem menos...
Só não se vai que o nome é o mesmo: reconheço!
Reconheço a rubrica do Amor
na tela em que se pinta
a ópera do desconcerto.


-Ai, fantasma de mim,
ectoplasma do absurdo!,
meu fardo é teu talento...




Torres Matrice


.
22.08.2008

Solau




























consigo

estar comigo

estando só  consigo

só comigo ( mal comigo )

umbigo e solidão

solau

se sigo só com migo

quanto mais pro fundo

umbigo

maior deserto

pior assombro

consigo




02.04.2007

terça-feira, 1 de julho de 2008

Espessura Vítrea







Que espessura vítrea
abafa os sons da vida
e me separa dos demais?


Que distanciamento
estranhamento feroz
na voz que emito e ouço...


Que parede invisível
separa a existência
da própria existência?


Doente do pensamento
não toco a mim mesmo
o mundo desfocado
deslocado mundo sem fim


Olho o mundo e o olho do mundo me olha
e tudo me parece vago
lago sem Narciso
água sem espelho




Caminhada sem caminho
meu calcanhar de Aquiles
passos que não tocam
não levam não trazem
não passam




Atrabile, bile negra - humor imaginário?




Serei o inventor melancólico
nesta redoma acústica do vazio?
Personagem de Dostoievsky
na primazia do atro ato
incapaz de tocar o mundo?


Eu vazio de mim mesmo
desde quando?
Ando como quem não chega
como quem não sai
Quando foi que inventei
este andar térreo
rés-do-chão?


Há um imenso vidro
dividindo a vida
assisto distante
o mundo sensível
onde um dia estive
sonhando o que perdi.




Sofrer é uma morada sem flores!





30.08.2008

Cinema é cultura! Visite a sétima arte neste blog de altíssima qualidade. Feito para quem tem amor à sétima arte.

Making Off - O Verdadeiro Cinema Está Aqui!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...