O Inverno
é a Estação do Trem
que não passa:
passa o tempo passa a vida
mas não passa o Trem
o Trem da vida
que estancou
..............................na curva do descarrilho........................
( """o ranger dos ferros na nevralgia exposta
ecoando na amplidão da memória
de um céu tempestuoso na boca de um deus cruel""" )
O inverno é a Estação que não passa:
derradeira dura e fixa
perdura verões eternos
É a fundura das coisas infindas
que não findam de afundar
É quando a gente
entende
que o tempo apagou pagou
o preço da imponderável luz
O sol e as cores: todos adoeceram sob o gelo
Inverno
É quando o sangue em trilho trilha
rilha ilha de um coração estacionado
corre escorre morre
frio... rio...
rio...rio...rio...
- Coração em conserva que em água impura dura...
Água de se afogar mesmo sem vida
água pesada de geleiras e lençois submersos:
terrores noturnos e camas mal dormidas.
O leito na varanda:
lençóis brancos de geleira
se estendem sobre a alma na estação
Inverno....
é quando os olhos se estacam e estancam
na paisagem interna
de uma estação final
onde o único passageiro
é o uivo escuro
de um vento atroz
gelado
e invencível
Inverno é quando se sabe
que o que sopra aqui dentro
( desolação )
é o último verso de amor magoado
Inverno é viver em feridas vivas
no assombro de um corpo morto
sem tempo e nem lugar
à espera de um Trem
que jamais vai passar
.....................................
01/02/2010