quarta-feira, 16 de abril de 2025

NIETZSCHIANA

 









                      NIETZSCHIANA



Na solidão descomunal,

está nua a extensa flor.

Pétala por pétala...

está nua a imensa flor.

Desnudo até o miolo,

um cérebro pensante,

bem pra lá do pensamento,

além da linha do pensar,

do alheado pensamento.


Alinhado ao pensamento

e distante da moral,

da moral desse rebanho,

da manada: nihil, nada!

Nada, nada,

nihil, nada.

Deposto está o rei!

O rei está deposto!

Deposto e morto está o rei.

Nós o matamos,

o rei matamos.

Nós o matamos,

o rei matamos!

Põe-se o Ocidente no excedente!

No acidente Ele se põe...

Dominus dominó!

Dominó é dominado...


De efeito então: dominus dominó!

Dominó é dominado...


Peça por peça,

nessa pressa, cai o espesso dominó...

Domínio caindo...

caindo o dominó...

Domínio caindo...

caindo o dominó...

Cai o rei de espadas,

cai o rei de ouros,

cai o rei de paus,

cai: não fica nada!

Pétala por pétala...

Sépala por sépala...

Despetalada até o halo:

o talo, o tolo, o elo, o ídolo...

Todos têm os pés de barro,

os pés de barro todos têm!

E desmoronam ao som do meu martelo;

meu martelo desmorona,

desmorona todo barro!

E desmoronam ao som do meu martelo;

meu martelo desmorona,

desmorona todo barro!

— Hammer to fall!!!

— Hammer to fall!!!

— Hammer to fall!!!

Nem bem, nem mal,

nem mal-me-quer;

me quer além,

bem mais além,

além do bem,

além do mal:

desdita humana.

Demasiadamente humana,

humana por demais humana!

Só miolo e altitude:

perto do topo,

perto do tempo,

certo do tampo, do tampo na cabeça,

ouvindo o eco, ouvindo o oco

sobre uma corda no abismo...

Solidão na voz que vem,

que vem dos píncaros gelados:

um ar de altitude,

e atitude é altitude.

 

Solidão na voz que vem,

que vem dos píncaros gelados:

um ar de altitude,

e atitude é altitude.


O homem além-do-homem,

o sobre-homem,

super-homem.

O homem além-do-homem,

o sobre-homem,

super-homem.

No efeito de uma queda,

o abismo me encara:

danço, penso; penso, danço,

danço à beira do abismo!

Danço, penso; penso, danço,

danço à beira do abismo!

Me abismo e me afirmo,

firme e forte, eu informo:

— Eu sou eu, eu sou o homem!

Sim, nihil, eu sou o homem.

O abismo nos convoca,

nos invoca, e é preciso

ser um ser feito pra ele!

Meu amigo, ainda é preciso

ser um ser feito pra ele!

O abismo nos convoca,

nos invoca, e é preciso

ser um ser feito pra ele!

Meu amigo, ainda é preciso

ser um ser feito pra ele!

Aspirar e respirar...

Respirar no alto cume,

no alto cume das montanhas,

aspirar e respirar...

Que aqui o ar é tenso,

o ar é denso, o ar é intenso.

Denso, penso: o ar é tenso!

No alto cume das montanhas,

denso... tenso...

o ar é denso!

No alto cume das montanhas,

denso... tenso...

o ar é denso!

Denso... tenso...

o ar é denso!

 

Torres Matrice

19/02/2016

 

 

 

 






sábado, 5 de abril de 2025

SÚPLICA NONSENSE (Não me deixe no mês de agosto)

 


 


Não me deixe no mês de agosto

Suposto qual seja o rosto

O gosto do mês que arrosto

Deposto no seio de um mês

 

O tempo que a lua leva

Eleva pra dar uma volta

E vela a matilha na Terra

No meio de um mês partido

 

Urdido canino dente

doente latindo em vão

Mordido no mês do Ente

Poente no mês do cão

 

Não vê que a tez se desfaz

No mouco ganido de um mês

No mês do cachorro louco

Que aos poucos me faz fugaz

 

 

Sou eu a baba do lobo

a dor o uivo ou o cão

um louco no mês do cachorro

um probo caído no chão

 



Torres Matrice

12.02.2025

Ghosting

 


 


 


 


Me ponho, oponho, exponho

Afirmo o meu lugar.

A dor não é bom esteio,

Custeio de um grande pesar




Você não quer um sonho,

Você quer resvalar...

Sair pela tangente:

Mas, gente, o que é que há?

 

 

 

Torres Matrice

GIALLO

 




 


Penetra cegamente no reino dos Gialli

Lá estão os crimes que esperam seu deslinde!

Chega mais perto e contempla os Amarelos

Cada qual tem mil faces secretas sob a capa flavescente

E te perguntam, sem interesse pela resposta,

Pobre ou terrível, que lhes deres:

“Hai portato la chiave?”

 

As fotos proibidas de uma senhora

Acima de qualquer suspeita

Um lagarto na pele de uma mulher

Um sonho? Uma senha?

Um prelúdio para matar?

Quem era

A Garota Que Sabia Demais?

 

A Iguana com a Língua de Fogo

Sangue e renda preta

Nelle Pieghe delle Carne

Quatro moscas em veludo cinza

E Qual é a cor desse suspense?

 

A Morte Anda de Salto Alto

Sete Mortos no Olho de Gato

Sete Orquídeas Manchadas de Sangue

A Rainha Vermelha Mata Sete Vezes

 

Quem a viu morrer?

 

A flor com o ferrão mortal

Seu vicio é um quarto trancado

e só eu tenho a chave

A estranha cor

das lágrimas do seu corpo

 

Um caleidoscópio surreal de pistas falsas,

Pistas verdadeiras, pitadas de elegância gótica,

sedução, engano e assassinato.

Suspense, fantasia e Freud

Cinco bonecas para uma lua de agosto

 

Trouxeste a chave

La chiave magica, Mondadore!

James Hadley  Chase,

tu sabes de alguma coisa?

 Alguém no prédio tem a chave?

 

Torres Matrice

25/12/2024

 




O ESTADO GASOSO DA PALAVRA

 


REDE

DEMO

MOI

MOINHO

...R.E.D.E.M.O.I.N.H.O...

MOINHO

MOI

DIA

DOR

RIM

RIO

BALDO

RIO

BALDADO

DADO

DIA

DE ADORAR

DIA

DE DOR

                  DIA DOROM                  

              DIA DOR RIM             

    DIADORADO

 DIABO

 DIÁ/DEA

 


                                                Torres Matrice 


      05/04/2025


Quem Nasceu Primeiro

 



 

Quando eu era antigo,

Subjugado pela existência,

Um ovo pousou no meu ombro

E seu peso morno, túmido,

Peso que é vivo e não morto,

Botou-me na vida o engano.

 

A gana de me enganar,

Engalanado no engano:

Galinha dos ovos de ouro,

Se não me engano

De tolo

 

De novo me enganei

Na casca do ovo da serpente

Um bobo, um Colombo, um demente

 

De repente repete-se o repente

Num sempre novo engano

 

A quem eu penso que engano,

à galinha ou ao novo?

 

 

Torres Matrice

 

27/03/2025

sábado, 4 de julho de 2020

TRADIÇÃO - TORRES MATRICE













TRADIÇÃO

Hai.caipirinha
haikai São João 
Haikai foguete 
haikai balão
Ai, cai quentinha 
ai, cai quentão
Ai, cai de leve 
levitando uma nação



Torres Matrice




quinta-feira, 23 de maio de 2019

Livre tradução da música Only A Pawn In Their Game de Bob Dylan






Medgar Wiley Evers (Decatur, 2 de julho de 1925 — Jackson, 12 de junho de 1963) foi um ativista afro-americano do Movimento dos Direitos Civis do estado norte-americano do Mississippi, assassinado pelo supremacista branco Byron De La Beckwith.















APENAS UM PEÃO EM SEU JOGO


Uma bala por detrás dos arbustos
tirou o sangue de Medgar Evers
Um dedo puxou o gatilho em seu nome
Um vulto escondido no escuro
Uma mão ajustou a faísca
Dois olhos fizeram mira
Atrás, o cérebro de um homem
Mas ele não pode ser culpado
Ele é apenas um peão no jogo deles

Um político do sul prega para o pobre homem branco
"Você tem mais do que os negros, não reclame
Você é melhor do que eles,
você nasceu com pele branca." ele explicou


E o nome Negro
É usado, obviamente,
Para o lucro do político
Enquanto ele sobe para a fama
O branco pobre permanece
No vagão do trem

Mas ele não será culpado
Ele é apenas um peão no jogo deles
O deputado, o xerife, os soldados
Os governadores são pagos
E os delegados e policiais recebem o mesmo
Mas o pobre homem branco é usado
Nas mãos de todos eles como uma ferramenta

Ele está convicto, na educação que recebeu,
Desde o inicio, pela regra,
Que a lei está com ele
Para proteger sua pele branca,
Manter o seu ódio,
Para que nunca reflita direito
Na condição em que se encontra
Mas ele não vai se culpar
Ele é apenas um peão no jogo deles



Dos barracos da pobreza
Ele enxerga, pelas frestas, os trilhos
Enquanto a batida das patas dos cavalos ecoam em sua mente
E ele é ensinado como andar em grupo
Atirar pelas costas
Com seu punho cerrado
Enforcar em um linchamento
Se esconder atrás de uma capa
Matar sem dor

Como um cachorro na corrente
Ele não tem nome
Mas ele não é de se culpar,
Afinal, ele é apenas um peão nesse jogo

Hoje Medgar Evars foi enterrado
Por causa da bala que o acertou
Eles o enterraram como um rei

Quando as sombras do sol que se põe baixarem sobre aquele
Que atirou com a pistola
Então, ele verá em sua própria cova
Na lápide que permanece
Talhado ao lado de seu nome
O epitáfio explicando sua razão de matar:
“Foi apenas um peão em seu jogo”









Livre tradução da música  Only A Pawn In Their Game de  Bob Dylan











terça-feira, 13 de março de 2018

As esculturas de cerâmica ultrarrealistas de Christopher David White







SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO!!! 






A traição da imagem...
















PARECEM DE MADEIRA, MAS SÃO AS CERÂMICAS 

SURREAIS DE CHRISTOPHER DAVID WHITE.














O escultor Christopher David White é um artista americano que vive e trabalha da Virginia. Reconhecido por suas cerâmicas fantásticas, ele começou sua carreira artística através do desenho e pintura.







Em 2008, Christopher começou trabalhar com argila e recebeu seu Bacharelado em Belas Artes em Cerâmica pela Universidade de Indiana em 2012. 






Christopher David White consegue dar uma textura de madeira ultrarrealista e orgânica às suas cerâmicas. 











Aqui estão algumas das impressionantes esculturas que foram exibidas na galeria Abmeyer + Wood em uma exposição individual intitulada HUMAN: NATURE.







































Surrealismo
 

O Surrealismo foi uma das vanguardas artísticas europeias que surgiu em Paris no início do século XX.

Esse movimento artístico originou-se em reação ao racionalismo e ao materialismo da sociedade ocidental.


A arte surrealista não se restringiu às artes plásticas, de modo que também influenciou outras manifestações artísticas: a escultura, a literatura, o teatro e o cinema.














Principais Características


O surrealismo propõe a valorização da fantasia, da loucura e a utilização da reação automática. Nessa perspectiva, o artista deve deixar-se levar pelo impulso, registrando tudo o que lhe vier à mente, sem se preocupar com a lógica.

Note que o maior objetivo dos artistas surrealistas foi usar o potencial do subconsciente como fonte de imagens fantásticas e de sonhos.

Assim, a arte plástica e a literatura eram vistas como um meio de expressar a fusão dos sonhos e da realidade em um tipo de realidade absoluta, uma "surrealidade".












































Origem do Surrealismo

Na Europa, o período entre as duas guerras (1918-1939) ficou conhecido como "os anos loucos". Assim, a incerteza sobre a predominância da paz levou ao desejo de "viver apenas o presente".

Foi nesse período de insatisfação, desequilíbrio e contradições, que surgiram diversos movimentos artísticos voltados para uma nova interpretação e expressão da realidade.

Esses movimentos ficaram conhecidos como "vanguardas europeias". O Surrealismo teve como precedentes indispensáveis, o Futurismo, o Cubismo e o Dadaismo.



















































































































































































































































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