
Na solidão descomunal,
está nua a extensa flor.
Pétala por pétala...
está nua a imensa flor.
Desnudo até o miolo,
um cérebro pensante,
bem pra lá do pensamento,
além da linha do pensar,
do alheado pensamento.
Alinhado ao pensamento
e distante da moral,
da moral desse rebanho,
da manada: nihil, nada!
Nada, nada,
nihil, nada.
Deposto está o rei!
O rei está deposto!
Deposto e morto está o rei.
Nós o matamos,
o rei matamos.
Nós o matamos,
o rei matamos!
Põe-se o Ocidente no excedente!
No acidente Ele se põe...
Dominus dominó!
Dominó é dominado...
De efeito então: dominus dominó!
Dominó é dominado...
Peça por peça,
nessa pressa, cai o espesso dominó...
Domínio caindo...
caindo o dominó...
Domínio caindo...
caindo o dominó...
Cai o rei de espadas,
cai o rei de ouros,
cai o rei de paus,
cai: não fica nada!
Pétala por pétala...
Sépala por sépala...
Despetalada até o halo:
o talo, o tolo, o elo, o ídolo...
Todos têm os pés de barro,
os pés de barro todos têm!
E desmoronam ao som do meu martelo;
meu martelo desmorona,
desmorona todo barro!
E desmoronam ao som do meu martelo;
meu martelo desmorona,
desmorona todo barro!
— Hammer to fall!!!
Nem bem, nem mal,
nem mal-me-quer;
me quer além,
bem mais além,
além do bem,
além do mal:
desdita humana.
Demasiadamente humana,
humana por demais humana!
Só miolo e altitude:
perto do topo,
perto do tempo,
certo do tampo, do tampo na cabeça,
ouvindo o eco, ouvindo o oco
sobre uma corda no abismo...
Solidão na voz que vem,
que vem dos píncaros gelados:
um ar de altitude,
e atitude é altitude.
Solidão na voz que vem,
que vem dos píncaros gelados:
um ar de altitude,
e atitude é altitude.
O homem além-do-homem,
o sobre-homem,
super-homem.
O homem além-do-homem,
o sobre-homem,
super-homem.
No efeito de uma queda,
o abismo me encara:
danço, penso; penso, danço,
danço à beira do abismo!
Danço, penso; penso, danço,
danço à beira do abismo!
Me abismo e me afirmo,
firme e forte, eu informo:
— Eu sou eu, eu sou o homem!
Sim, nihil, eu sou o homem.
O abismo nos convoca,
nos invoca, e é preciso
ser um ser feito pra ele!
Meu amigo, ainda é preciso
ser um ser feito pra ele!
O abismo nos convoca,
nos invoca, e é preciso
ser um ser feito pra ele!
Meu amigo, ainda é preciso
ser um ser feito pra ele!
Aspirar e respirar...
Respirar no alto cume,
no alto cume das montanhas,
aspirar e respirar...
Que aqui o ar é tenso,
o ar é denso, o ar é intenso.
Denso, penso: o ar é tenso!
No alto cume das montanhas,
denso... tenso...
o ar é denso!
No alto cume das montanhas,
denso... tenso...
o ar é denso!
Denso... tenso...
o ar é denso!
Torres Matrice
19/02/2016














































