sábado, 4 de outubro de 2008

( des ) Construção






Não vê que sua sombra,
entulho emocional,
sobrepesa meus andaimes
e trava a rodilha dos pensamentos?




Como posso reconstruir?




Não percebe que o cimento do meu ciúme
embota o sangue
enrijece meu desejo e firma o indesejável?
Não percebe seus projetos em mim?
Não entende que a umidade da masseira
tem a temperatura da minha lágrima gelada,
que sua liga, infiltrada nos meus olhos, 
deita saudades remotas sobre minh'alma cansada?




Como posso reconstruir?




Não sente que os tijolos da insegurança
circundam minha vida e erigem os cômodos
do meu incômodo desatino?
Não compreende que o espectro do que fui
traz de volta a alegria dissipada
em andrajos de uma cortina imóvel,
na mobília dos meus cantos umbrosos?
Não concebe que na sala-de-mal-estar
choro cada quadro latente,
onde fantasmas
celebram minhas dores
desde a parede do ontem
até o tapete de agora?




Não vê, não percebe, não entende, não sente, não compreende?

Em mim toda construção é ruína!!!








Torres Matrice

04/10/2008

Um comentário:

ana angelica disse...

Não tenho palavras para te dizer com profunda exautidão o que acho deste poema, apenas posso dizer que são palavras lindas, amei o poema.

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