Cultura é toda forma de intervenção humana na natureza transmitida de geração a geração, nas diferentes sociedades; Criação exclusiva dos seres humanos; Ela é múltipla e variável no tempo e no espaço, de sociedade para sociedade. Este blog pretende dividir um pouco da cultura engendrada pelo homem de todas as épocas e lugares, de todas as áreas do conhecimento humano, especialmente das artes, ciências e filosofia.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Mulher
Mulher, qual o teu nome?
Que palavra,
lavra da tua linguagem,
traduz teus engodos?
Essa alma dramática,
luz de abismos sepultos...
Ilusão, teu nome é mulher!
Em teu lábio a trapaça
passa por trás da trapaça
e é púrpura elegância.
A lâmina da traição
é o signo do teu gesto:
essa faca cravada
na alma.
Teu teatro de poses:
atro desespero
do meu corpo cansado.
Mulher, qual é o teu rosto?!
Mostra tua cara!
Ela é a verdade que desconheço,
mas preciso esquecer!
Torres Matrice
03/09/2006
sábado, 2 de outubro de 2010
Fino Coletivo afina a flor do bom gosto!
GRUPO FINO COLETIVO AFINA A FLOR DA CANÇÃO
Alagoas e Rio de Janeiro se afinam em uníssono e geram a fina-flor-coletiva num suíngue contagiante, bonito, melódico, acordes que envolvem o corpo e o coração. Letras simples e agradáveis, poéticas e contagiantes num resultado de bom gosto e apuro.
Fino Coletivo para quem é de bons ouvidos!
Aprecie sem moderação.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Segue o teu destino - Com Nana Caymmi - Música sobre o poema de Fernando Pessoa.
Segue o teu destino,
rega as tuas plantas,
ama as tuas rosas.
O resto é sombra
de árvores alheias.
A realidade
sempre é mais ou menos
do que nós queremos.
Só nós somos sempre
iguais a nós próprios.
Suave é viver só.
grande e nobre é sempre
viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida,
nunca a interrogues.
Ela nada pode
dizer-te.
A resposta
está além dos deuses.
Mas serenamente
imita o Olimpo
no teu coração.
Os deuses são deuses
porque não se pensam.
Fernando Pessoa
sábado, 18 de setembro de 2010
Valsa para uma letra suplicante ( para Manuel Bandeira )
E eu que não morro
se tu não vens
sou tão indiferente
ao que tens
que riscos não corro
se me deténs
com o que fere rente
e a outrem agoniza
em fahrenheit.
Não és brisa, mas agitas Bandeira!
Tua face não é lisa...
Não, Elisa!
És áspera e exasperas:
Nêspera em véspera de espera.
Temporã que brota em mim
fora da Era...
E eu que não estou nem aí,
sou diferente, indiferente a ti...
Nada tenho com isso,
mas brotas no meu tempo,
na madeira do papel que leio
e num enleio me apiedo do poeta:
Pietá! Pietá!
És valsa fria
de um amor suplicante!
Sei que tu és
mulher igual a todas,
igual a mil em mil!
Mulher diferente, indiferente mulher!
Sei da voz da Voz
que ensina
que tu és de certo
desumana...
E eu que nem sei de ti,
tirana!,
de fato
achei-te mesmo
desumana,
desumana Elisa!
Torres Matrice
15/04/99
sábado, 11 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Aurora Bélica de junho
Punho cerrado na boca do estômago da noite
quem estanca o sangue e sangra
singra as águas em pó
não há mais aurora
só o golpe só a dor
sua dor
borboletas dioxina
em sinais de mofina
batem asas
na ânsia do estômago
vísceras revísceras
enjoo neônico e plumas lisérgicas
um voo de vícios e fatalidade
idade do crack
as armas apontam o futuro
um lance de dados marcados
a cena final sob as mangas
na carta no mapa na chance
ninguém leu ninguém pôs
a sorte
depois da porrada o tiro
retiro de tragédia e bala
abala na agulha atravessa o vício
o vírus o frio o beijo e o asfalto
Um só riso e a aurora de junho
a aurora bélica de junho
enfim...
Torres Matrice
06/01/99
Beleza Roubada
Por que esse tempo estridente
rangendo no sangue metálico
essa navalha nos ares
esse peso
essa química que a veia sente
Por que sonambulam feros alados
nesse tráfico de gatilhos surdos
tráfego vermelho de balas fragrantes
que preiteiam a barbárie dos absurdos
num flagrante gosto pela morte
Que pleiteiam esses tempos
os Itinerantes os ávidos os emergentes hardware:
laranja mecânica revisitada
Por que essa vertigem no tempo
essa ferocidade no punho cerrado
esse alucinógeno no ar
do que é por natureza diversionista: O escape.
Errática arma biológica veloz
sonoridade de beijos neonazistas
corações de fogueiras inquisitórias:
juventude medieval hightech
aglomerados hightech
tecnologia globalizada
dosada em seringas de politicalha: TV-fé
o ópio da turba
ferretes comerciais para a manada
nada de poesia
túmulo do amor
Inexorável odisseia no espaço
2001 - ódio e serra no ex-passo: involução
cabeças já rolaram
na vala comum
como um tempo sem humor
Onde o sorriso do gato de Alice?
Torres Matrice
31/03/99
sábado, 28 de agosto de 2010
360 graus
360 graus:
num giro o bairro todo...
girândola
a periferia na pele aferia:
preferiria luz à flor da pele
tatuagens
margens e imagens
um olhar confere
a fé e a febre do sol se pôr
sobre as casas
os tons do telheiro
palheta palores
colores:
Torres, sinos e rumores...
a tarde e suas tintas:
o sol espalha e espelha
- espátula!
e entre o ir do sol
um som um sim: sinal
um yin e um yang
olhar e olores
vento morno
corpo nu
nume
numa nunca esperada
nuance
rota solar lar, um nome:
fúcsia magenta
cor que arrebata: acrobata!
O bairro é o momento!
a vida é agora:
ora ávida ave da vida
hora vívida ave maria
canto e
voz
florais de bach
nuvem no vento vem
úvida dúvida
azul
arrebol fecundo
mundo meu
nos telheiros daqui de cima, olheiros!
vários, visíveis, viáveis
telhados abrigam lares que abrigam vidas que abrigam almas
múltiplas multiplicadas
para além dos telheiros
acolhedores e tantos
a perder de vista...
- telheiros de um Belo Horizonte,
minh'alma quer ser feliz!
Torres Matrice
06/02/2006
ISTO NÃO É UM CACHIMBO
[ OBJETO ]
isolado em estudo
sob o olhar,
saturado:
a canseira da visão
na investigação da coisa
DESPIDA
até o car(osso)
como uma existência que se torna visível pela primeira vez
uma nudez descascada
no cerne da coisa
RE/LIDA
outro { ângulo} focal
desintegra o posto
desfaz o rosto
desfaz o rosto
descobre o SER que não foi
pupila apalpa a polpa
antes do vício do nome
NOME
invólucro aleatório na coisa
batismo e alienação
Enxergar na distração da cegueira da visão
o caroço
do
ABACATE
a traição da imagem:
isto não é
- não acate!!!
abacate
Torres Matrice
31/05/2000
Torres Matrice
31/05/2000
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Bucólica ( Mário Quintana )
Na solidão da noite
uma vaca,
uma abençoada vaca,
muge.
O seu mugido é um rio de veludo morno,
voz de mãe e de amante:
quente e cariciosa...
- A mesma voz que tu, antes de me abandonares,
Tinhas sempre comigo!
[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]
uma vaca,
uma abençoada vaca,
muge.
O seu mugido é um rio de veludo morno,
voz de mãe e de amante:
quente e cariciosa...
- A mesma voz que tu, antes de me abandonares,
Tinhas sempre comigo!
[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]
terça-feira, 24 de agosto de 2010
FARINELLI, IL CASTRATO
Sinopse
Após se tornar o mais famoso cantor do século XVIII, Farinelli (Stefano Dionisi) decide permanecer na corte do Rei Felipe V da Espanha (Jacques Boudet) e cantar exclusivamente para ele. Mas sua carreira começou junto com seu irmão (Enrico Lo Verso), um compositor que compunha exclusivamente para ele obras de qualidade questionável. Porém, Farinelli tinha sido castrado aos dez anos e sua pura e perfeita voz tinha se tornado a única razão para ele viver, sendo que mesmo um floreio sem grande valor musical se tornava um espetáculo capaz de lotar os teatros. Os irmãos não se falam há três anos, desde quando Farinelli rompeu com seu irmão se dedicando exclusivamente à sua amante, mas o retorno repentino do seu irmão vai evocar o passado e poderá afetar o futuro deles.
terça-feira, 27 de julho de 2010
A ÚLTIMA MODA
Dispo-me da solidão
essa roupa não me acenta:
É o nu que me cai bem!
A transparência me decora:
coralino coração!
Vesti, sim
vesti por muito tempo
o corte da ausência:
- esse terno do diabo!
Para o inferno
o agasalho desse frio!
Corpo é movimento
pede a nudez natural
para falar mudo
mudo de roupagem
visto o ar de um novo tempo...
Roupa leve
leve embora
todo trapo todo peso
pra vestir outra costura
com a linha do meu corpo
deste corpo que se alinha
ao elã da elação
lã mais leve de outra moda
De outro modo
há uma força que se tece
há uma força que se tece
com a linha de outra vida
botões de outra calma
na palma da minha mão
Basta de trajar
atadura e solidão
essa múmia demodê!
Ponho a roupa mais sincera
esta pele que me cobre
esta tez e esta cútis
esse ter sido tecido
isso que me lança ao mundo
ao modo da experiência:
-Eis, a grife e o Costureiro!
Toco a seda da nudez
essa senda do desejo...
Que se acenda na lapela
o cravo de todo incrível
figurino da alegria!
Agora posso desfilar
destilar que o rei está nu
a nudez dessa verdade
veste bem meu coração
porque sei fazer carinho
fazer carinho com o olhar
e só sei olhar o mundo
na metragem da poesia.
27 de julho de 2010
Torres Matrice
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