sábado, 3 de outubro de 2009

MEMENTO







Tanto nó em tanto Tanto
E no entanto é mas
E mais: porém em toda a vida...
Em toda via contudo
toda estrada havia
e não há mais.
Sol o por-me em mais afundo
em toda vida e tanto mas!
Tudo tão atravessado:
Tanto mar tanto mar...


Viés de coisa oblíqua em diagonal
feixo espinha de peixe
na garganta do silêncio


Tudo
por uma vida mais ordinária
maior que dó
em ré
e tanto desacorde
e um cor em desacordo:
epiderme insone e só


As paredes em que decalco a pele
estampas de tanto “se”: apelo
Exalam-me a tinta do que fui
e a cola do que não sou.


Se não fosse esse “se” em si
atravessado em mim na epiderme...
Se você ainda fosse você em ti antigo
na pele do mesmo lobo...
Mas é “se”
se você não fosse outro:
Um estranho alheio no mesmo em ti.


Mas você agora é Você!


E eu
Eu sou um si em mim fora de ti
fora de mim fora de nós.
Um se, talvez, quem sabe?!
Uma obsessão tatuada
no costume antigo de ser feliz
quando ser feliz era comum
como UM inteiro em DOIS
e fácil e bom e leve
mesmo sendo a dois.


Como era mesmo?!


Tudo tão impreciso na memória do homem que fui
que já nem me lembro do Ser inteiro decalcado de mim...


Na parede diagonal do corredor
onde tanto barulho esculpe
as desculpas que invento para não morrer
em meio a tanto “se”, contudo,
tanto mas, tanto porém
tanto no entanto, todavia
e o que havia já não o vejo mais...


E esse AL.arde dentro da p.ele?!


Será o vício que o tato tem
a teima de não te esquecer
o tique o truque o toque
a tara que há na tez?
Será


E esse barulho na memória da pele?!
E esse marulho...


Não é nada, não foi nada!


É só um jeito sem jeito
e silencioso
que achei de ser feliz
sem VOCÊ





Torres Matrice


03/10/2009

Um comentário:

ana angelica disse...

Este poema é lindo, eu consegui enxegar nele um pouco de mim, lindo mesmo. abraços, parabéns pelo trabalho.

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