sábado, 29 de março de 2008

Êxtase e Gozo






O Silêncio me põe catedrais...
Descerro sacralidade no peito
e erro pela nave atemporal!
O eterno me atravessa!!!
Soa o avesso silente dessa sina ateia...
O sino da fé fere o Sim de Deus!
Por quem o Sim nos dobra?!
Êxtase divino de um descrente
em busca de Deus.
A fé aferra e fere
com ferro confere a ferida.
A fera aferida no desvão da fé
paga sua pena: promessas do impossível!
Pode um ateu encontrar-se
pelo viés da crucificação?!


Oh, Deus! Deus da redenção...


O gozo pleno da alma cruza
o altar da consciência...
O Espírito de Tudo recomeça:
Amor não tem forma, Amor se nos conforma.








01.11.2005

O Vôo do Corvo





A cor do desamor
g.o.t.e.j.a..l.e.t.r.a.s...
...cáusticas...
de puro a.noite.ser
nu olho duro do meu verso


...c.i.n.e.r.a.d.o...


...cinéreo pólen......................................................da obscura flor do meu desejo


cinzas da paixão: pó.........
coração de borralho e chamas.


Chamas por mim, chamas?!
Velas por quem?!


Oração sem palavras, período de incredulidade, f(r)ase de ateu
todo teu
Cremado coração crepita: meu cor ateu não crê na cruz que me cravas!
Brasa abraça abrasa esboroa........
Cinzento coração de borralho e chamas...
Credo!!!
Céu escuro...ave de rapina...
Voa o pássaro do presságio:
a noite emu.desceu meus olhares.
O nefasto chilreia gotas de nanquim 
- cruel! -
a cada milésimo de segundo,
na ampulheta sombria da minh'alma doente.


Agora agouro, cinzas, agouro...
Corvo maldito!!!
Voa cor, voa...
A cor voa, mas não larga!
Acorvoada acorvoa 
o corvo atordoa...
Corvo maldito.


Passa nuvem negra!!!








18.05.2005

Sol Posto







Para que o amanhecer,
as alegrias azuis,
o ar sensível, risonho,
o sonho de claridade
e a jovem cidade
acordando?


Para que lençois solares, lares...?!




Para que o meio-dia,
se o inteiro é ausência?
Partido por completo
como viagem sem retorno
de um filho natimorto...




A tarde arde:
um ar de dor ecoa
Coa a arte do entardecer
um terço da parte
que me foi um dia...
Ave, Maria!




Loa de um poeta triste,
coroa de um sol posto.
Gosto de fel...
Rosto laureado: áurea melancolia.
Espelho antigo, sorriso sépia:
alma de âmbar.




T.arde demais!!!




A noite chegou...
O sol deu de partir
quando você se pôs
e só eu sei o porquê.
Só eu...





10.02.2006

Nevasca




"Olha para mim, não há nada mais triste que um homem morrendo de frio!"






e afinal
do que adianta estar aqui,
ali ou acolá,
se todo lugar, ermo,
é o mesmo desengano?!


Eu, mar de agonia tiritando
dentro da poça de desajustes...


O que é estar aqui?
Que lugar é este?
Onde tudo e todos?


Que espaço é este
onde o gelo me queima em brasas
dentro do aquário seco?


Palácio das tristes artes sensoriais:
aqui ardo em desalento gélido.


O desespero me nevasca:
aqui me dano, congelado,
na estúpida busca do meu centro.


A vida aplaude o espetáculo que enceno,
morrendo de frio, desorientado...
O amor já foi meu um dia.


Sou o aquário congelado em brasas desatino...




05.05.2005

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

...ainda



.
permanência
este decalque
fixo:
cruz de ama.dor.
Cão que ladra e morde!!!
Cravo
da fixação, madeira do medo.
Dente latejante na polpa hemorrágica,
nervo exposto ao suplício:
flagelo!
Canino coração, cão danado!
Os cães não passam
e a caravana
Ladra
rouba minha alma:

Des.ba.r.atado...desm.ant.ela.do...

no fundo do poço: umbigo da tortura
a matilha se trai: judas de mim mesmo!!!
Na saúde, na doença, no amor...

Cristo!!!



30.03.2005

CURTUME




O sol por um triz:
outra vez tudo se põe!
O que me toca nesse ir
é o frio febril...
Tremular da alma doente.

Quando é que a Dor se põe a pino?!
Quando?!

Pior que o poente,
maior que o meu silêncio,
é o Nó na garganta, nas cordas vocais, da boca da noite,
onde um gosto de arrebol macera minha voz.
Toda alegria se põe aqui.
Maior, ainda, o abismo que se encerra ao fim da tarde
anuncia a usura do viver.
Medo...medo...medo...

Quando é que a Dor se es.vai?!
Quando?!

A tarde cai...
Um pálio nefasto lança sua sombra medonha...
É quando um Sol áspero de dor
raia em minh'alma carpideira.
Eu ardo e definho no curtume deste Sol!




02.05.2005

De Longe...






Quando, exatamente,
a primeira luz oscilou
doente?


Quando a tibieza fria
fez seu indolente gesto
pela primeira vez?


Quando a primeira fagulha
da escuridão se elaborou
e fez-se clara?!
Quando?!


Quando se apagou a primeira luz,
faúla incendiária do breu eterno?!
Quando se apagou?


Por que não me liguei,
se a energia nos faltava
e aos poucos obscurecia
seu olhar amoroso?!


Quando dei por mim,
mortificado,
avistei o invisível
no escuro dos teu olhos:
as luzes se afrouxando,
se apagando...
uma a uma...


Já era tarde demais!!!


Faltou luz no meu espírito:
paguei caro a conta do que não me dei conta!


Na névoa da miopia, perdi-me,
à margem da vida!
Do outro lado do rio, noutra margem,
longínquo, o barqueiro da desgraça remava adiante
levando você...........................................
cada vez mais distante...disperso........


Tão longe a lanterna do seu amor!
Bruxuleante...oscilante...titubeante....
até esfumar-se na neblina....................


Sequer pude ver sua mão acenando...
Gesto perdido na fumaça.
Tateio, agora, na escuridão,
a adstringência do travo da treva.
Amargo o gosto do vazio
nas digitais da minha mão sem linhas.


Silencio à beira do cais...



MEU





A seda escapou-me por entre os dedos...
A sonata decompôs-se por entre as pautas:
as notas todas pelo chão...Todas as notas!!!
O soneto esvaiu-se em esquálido som: sussurro, sibilo...
A cantilena, num esgarçar de voz, fez-se muda.
A rara flor, agora inodora,
em fúnebre jardim prostrou-se.
Trouxe o tempo, pois,
a nota da ausência.


O calor que aqui estava?!
A vida resfriou.


Meu equilíbrio, meu brio?!
O sonho de existir e ser, a vontade?
Conversão.


O mel do Melhor converteu-se em mal maior,
travo, adstringência,
Cica, triz, treva: esquife.


O Horror cristalizado no sal da dor:
Esse não sabe passar, reside no imutável,
é cruz, é fixo


-é meu!!!







03.11.2004


DOS MALES




                                     




                                      Ide a mim para ver:
é de sangrar até morrer.
Ide a mim, vá ver!!!


No meu estado impera a Dor
É de doer romamor
Ardor contra Gália: tremem os séculos
no meu corpo latino!!!
Calígula! Calígula! Coágulo...
Voo da crueldade no meu corpo: Ave
César! Vou de asas partidas...



Tanto tom no coração do mal: Tonton
Eu me chacino, eu me rechaço.
Em mim, o mal que sou assino em baixo!
Como um bicho ferido, agônico, eu me devoro:

Bicho Papão - Tonton Macoutes, tonton...


Papa meu coração noir, François!!!
Papa Doc, François Duvalier
É de doer, de doer... Pol Pot!



Abdul Hamid, segundo meu cérebro letal, seguindo-o:
Sangrentas guerras no meu peito!


Il-Sung... Kim Il-Sung
Eu sou quem eu sou...
Quem eu sou?!
Charles Taylor: Adolf Hitler:Joseph Stálin:

Satã?! Saddam?!
Hussein é fogo!!! Não sei...
Nada disso!

Lúcifer...Luz e fé febres vãs:
todos fogos de palha!!! Fogueiras da vaidade...
veleidades do Mal.



Dos males, o Maior: EU


EU!!!


Eu em mim
de mim den'dimim
contra mim
EU mesmo: EU
e só






EU







02.11.2004

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

DOR






Passo morto
a estrada vã
sou eu.
desabrida t.erra
de semea.dura pétrea
Muito veneno
para um só coração:
Infernal - ofídio!
É dor infinda, mortal.
Terra de ninguém: abismos, errância...
Onde visceral morte
viceja?
Passo adiante...
O grito de Munch
é pouco.
Aro a terra infértil...
A sombra é funesta: esta!!!
e fecunda a fresta do sonho, o peito...
 Caminho para uma colheita
Medonha:
O Amor estertora em treva: atreva, verta-o!






16.09.2004

Ruínas








?
e o q mais
o q sobrou de tudo
o que restou
soçobrou


o quê, meu Deus?!!


Só as vozes
das ruínas
respondem: ecoam doridas
O silêncio é mais!!!
ensur.desce
mais alto
O vazio aborda borda transborda
r-e-t-a-l-h-a
a alma
Inunda a palavra: DOR
Há dor
em cada sombra
que Amor deixou.


Uma tecla constante e repetitiva
piano...piano...piano da dor
Insiste:
istmo entre tortura permanente
da canção sem harmonia
e o NÃO.


O que resta
é o supremo dom do humano
para o amor que dói
e não tem fim...
Mesmo depois dos escombros!!!






25.09.2004

sábado, 26 de janeiro de 2008

CÍTRICA









FORA DO P.RUMO


O RUMO DA VIDA

 FICOU
COMO SE ALGOS HOUVESSE
dolorosaMENTE
PART/IDO
NA ESPINHA DA EXISTÊNCIA
UM ESTALO
!!!!!!!!!!!!!!!!!!
AGORA
A dor
é a coluna de sustentação: tudo é um devir, um desvão
ECOS DO NAUFRÁGIO: TUDO é dor  É SILÊNCIO
A VIDA MOSTRA, AFINAL, SEU VASTO CORAÇÃO
DE GELEIRA
cítrica


DEUS ESTÁ MORTO!!! O QUE FAZER
?????????????????????????????????????????????????????????????

???
COMO ENCONTRAR-ME
SE MAIS QUE PERDER O AMOR
PERDI A MIM MESMO
NO DESCAMINHO VIOLENTO DA dor
FRIO... VAZIO...
CÉTICO E PERPLEXO PERANTE O ABISMO QUE SE

...E.X.P.A.N.D.E...
ESPERANDO QUE A MORTE SILENCIE A REVOLTA
E A MÁGOA
QUE A MINHA INCOMPETÊNCIA DESTILA NO VÃO AMARGO DO MEU SILÊNCIO.
TUDO QUE ERIJO JÁ ERA!!!
POSTO-ME , SOB O SELO DA DESGRAÇA,
ONDE A TRISTEZA  ESPREITA AFOITA,
INVARIAVELMENTE,
TREVOSA... FÚNEBRE... MEDONHA... ADSTRINGENTE

E APAIXONADA.







Torres Matrice 

Infernal Temporada






O demônio urra
cuspindo as frágeis penas
da presa:
me consumo entre estertores...
Penas do amar
apenas ave
entre mandíbulas
na boca do lobo.


Penando, assim,
agonizo
entre dentes contundentes
 bruta força do viver.


É não vir, não ver para crer
que o amor, alma penada,
morre ao canto da boca da Ave-Maria...
é tarde...
A noite densa estende suas medonhas asas:
o inferno viceja ao canto do galo!
Raia o fim...


Que Dor!!!




04.11.2004

AUSÊNCIA








Acordei em prantos doridos
criança cuja mãe morreu: eu
sozinho...


...


...tão sozinho...




é que... ...dói-me o sono...




Dói-me o peito...
dói-me a alma
dói-me a mente...
dói-me a vida... dói-me o pranto...


Em tudo que é silêncio, a casa dói!!!
Em tudo que é silêncio... em cada canto...
A casa dói:
Do mais profundo do seu alicerce imponderável
até as raízes da madeira no telhado bolorento!


mói


Preciso dormir...
eu preciso dormir, meu Deus!!!


Por favor!










09.11.2004


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008






São os gris pelos
pelo corpo
que sinalizam:
pincéis!

A arte do pintor cruel!
Peitoqueixocabeça à beça!
Glaceados de amaro açúcar:

Geada...
O mármore frio,
alvo,
gélido e doloroso...

Frialdade.
Linhas do chicote,
marcas indeléveis... 


Que fazem os dentes do tempo
na carne do viver?



No rosto
a epiderme triste, tépida,

o fim do olor suave...

A canção não é mais,

é menos colorida.
A cor agora é outra,
o cheiro... 

Gris alho...
O dente que fere,

a cabeça que relembra
o ontem.


Os aromas das flores ressequidas,

o campo sem espaço, inodoro.
Vislubre do limite: o cheiro.
O perfume evola-se,
a canção chega ao fim - e dói!!Tudo é precipício e ausência,
tudo perda e silêncio...

Só.










22.07.2004

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

MATILHA DE UM SÓ






Uivo
lancinante uivo
eu, cão danado,
atravesso meu avesso


Noite sem fim...
Eu não me acabo nunca!
Noite densa...


Meu grito corta além...
Solto como uma dor
espalhada no aerado sangue
da Noturna.


Metástese da escuridão...
Sou o uivo infernal e só!!
Soa cão danado! Ladra ladrão de mim!!!
Noite do sem fim.


Na vala do breu
a escuridão é navalha que cega,
rasga o ventre da noite.


No desatino supus o pulo lupino:
Lupus.
Sou o Lobo de mim!
Danação e miséria.


Arrasto-me coxo
gauche
espalho meu sangue
pela areia movediça do deserto que sou.


Lei do Cão! Mondo Cane!
Matilha de um só.





26.04.2006

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

LUVA






O inevitável, enfim:
perdeu-se da minha, sua mão!
Um gesto assim: aéreo
resto da imprecisão.
Luva vazia afagando a dor...
Tudo tão hostil no existir.
Fugir não acalenta. Não há como...
A luva A garra O infinito Vazio...
Cadê sua mão? O gesto... Cadê?!!
Fuga em dó maior: infinitésimo momento...
Não esqueça minha mão, por favor!!!
Não perca, não solta, não larga...
Volta que a vida dá!
Re.volta!!!
Na palma da solidão solta,
revolta linha da mão...
Dos nossos dedos entrelaçados, que restou?!
Foram-se os dedos e os aneis...
Sua palma, minha alma.
Calma... Cadê a calma?!
A solidão fervorosa
une minhas mãos
numa oração sem Deus:
a luva oca
é pouca para tanto tato da devoção.
Eu tento... finjo... quase creio!
Sorr.ir, só r.ir, finjo sorr.ir... eu posso fing.ir...
Eu consigo??!!
Faço média para a solidão me acompanhar,
substituindo sua mão como uma luva na minha.
Será que ela me cai bem??!!
Um tapa da mão que escreve torto
por linhas erradas...

a.deus!



12.11.2005

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Papiro, o papel do Egito: os passos da história nas páginas do Egito. O livro caminha e leva consigo a alma do mundo.







De como eu me encontro na poesia que vem da música de Vitor Ramil - A Estética do Frio.

SOMENOS





Do tanto que perdi


o quanto


me sub.traí - Só


eu sei...


A carne descolada do osso,


o espírito do corpo.




A lesma dos mílésimos de segundos


impregnando,


com seu limo torpe,


a febre latejante


de tudo que perdi.




O quanto me deixei


do tanto que fiquei


no sumidouro do espelho:


SOMENOS!!




Sei o que fui...




A carne descolada O osso pulverizado


pelo aço inacreditável da Dor que range e raspa


até o pó.




De tudo que perdi...


Do que foi... Do que fui...


Nem sombra...


...





12.04.2005

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